segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Retrato - Ilustração Vetorial + Referências Clássicas

Há algumas semanas atrás eu fiz o retrato de um casal que ia comemorar sua Bodas de Prata. Eles gostaram da versão digital que eu fiz de um casal e queriam uma semelhante, mas colorida.

Há tempos venho querendo desenvolver uma "evolução" para esse tipo de traço e achei que essa seria uma ótima oportunidade de fazê-lo. Minha base de referência para a produção foram os "panneaux décoratifs" do Alfons Mucha (1860-1939). Nessa oportunidade, como não poderia fugir do que me foi pedido, resolvi então não "viajar" muito pra não perder a proposta de estilo da arte que foi escolhida para ser a verdadeira referência.

O resultado pretendido foi na verdade uma "mescla" saudável do estilo original com as tendências de traços mais caligráficos. Eu só não sabia que isso seria complicado. :)

Abaixo dá para conferir como foi mais ou menos o passo-a-passo de todo o processo. O tamanho do arquivo talvez não permita ver com clareza, mas houveram algumas alterações, principalmente no rosto da esposa, ao longo da produção da ilustração.

Retrato Casal - Passos e Processo



O casal me passou várias fotos para referência, que foram tiradas a longo desses 25 anos juntos. E como a fisionomia muda com o tempo, quis fazer um apanhado de todas elas e mesclar essas fisionomias em uma só. A verdade é que por se tratar de uma ilustração eu tinha o direito de explorar o que uma foto não poderia. Não sei se vou conseguir explicar o "insight" que tive, mas eu queria manter os traços de personalidade deles de uma foto usando os de expressão que apenas fossem necessários para manter a semelhança dos rostos. Como complemento da base de "Mucha", fiz alguns arranjos florais ao redor dos rostos. Mas nada muito excessivo ou pesado.

Retrato Casal - Ilustração completa



Eu tentei ser bem detalhista em alguns momentos para justamente seguir as referências de Mucha, mas eu não ia poder me perder muito nisso, até mesmo porque a impressão da ilustração não passaria de um A4. Pintei no Photoshop e usei cores suaves e um pouco dessaturadas para valorizar o traço.

Retrato Casal - Detalhes



Só queria ter tido um pouco mais de tempo e até liberdade para explorar esse estilo, mas a verdade é que duvido muito que conseguiria ter agilizado isso mais se eu não tivesse uma tablet. 85% desse desenho foi usando as ferramentas "pincel" e "lápis". E usá-las só no mouse tava me dando uma bela dor no punho...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Uma vinheta diferente

O novo site do estúdio tá no ar. Na verdade não é novo em design, mas em conteúdo.
De madruga, depois de muito trabalho, finalmente está tudo ok.

Da parte trabalhosa, destacam-se as ilustrações para cada seção. O grande desafio era criar uma vinheta que abordasse o tema e tivesse um destaque qualitativo, já que seria a primeira arte a ser vista.

Das que criei, separei uma para o blog que achei interessante. Não é a mais critiva, nem a mais trabalhosa, mas o diferencial é com relação ao estilo. Conversando com o Flávio para bolar alguma coisa, tive a idéia de criar uma idéia objetiva para o sisudo tema "Institucional". Em contrapartida, ele me sugeriu fazer um traço mais diferente, um estilo de cartum mais sujo, inspirado em algumas publiações editoriais norte-americanas.

Primeiro de tudo, o desenho tinha de ser mais estilizado, exagerado. Fiz um casal meio esticado, para aproveitar melhor o espaço vertical que ia ser publicado. E por incrível que pareça, o dificil mesmo foi criar um estilo "sujo" na arte-final.
Faz muito tempo que eu condicionei meu traço à "perfeição", a você fazer sempre tudo certo, corrigir falhas. Mão firme, pincel afiado.

Ao contrário do que pode parecer, eu tive muita preocupação com o acabamento. Eu fiz antes uns testes a parte e depois escolhi com eu queria seguir. E não cheguei simplismente e soltei, fazendo de qualquer jeito. O traço tinha de ter um estilo, uma definição. Precisava, mesmo sujo, haver uma certa homogeneidade.

Photobucket



Usei um pincel descartável, o que complicou o trabalho, pq eu precisava criar a "plasticidade" do pincel natural, de pelos e com nanquim. E o pincel descartável tende a ser sempre mais certo, contínuo. Mas essa é a idéia de praticar o traço antes, pq resolvi já nessa etapa como posicionar e trabalhar a mão.

Para a cor, usei uma paleta dessaturada e um pincel digital que fosse áspero e sujo como o traço da arte. Nesse caso, a alternativa era pintar rápido e preciso, para o photoshop não criar uma "massa" de tinta e perder a textura.

Bom, o resultado foi esse abaixo:

vinheta: institucional



Como disse, não é um trabalho de excelente primor, mas serve para mostrar que todo trabalho, por mais "solto" que ele se mostre, deve ser feito com cautela e utilizar de técnicas fundamentadas. O conceito carrega isso tudo.

Desculpas pelo delay da postagem. Mas o importante é que tem coisa nova. :)
Na próxima, quero voltar a discutir um pouco sobre o mercado de ilustração, dar outros toques. Percebo que as vezes tem muito ilustrador novo ou "candidato à" que passeia por aqui.

Grande abraço a todos. E 'bora pra prancheta!

terça-feira, 2 de junho de 2009

"Enjoy Music": etapas e conceito da produção

Não sei se é do conhecimento geral, mas criatividade tem várias definições. Desde originalidade da idéia até uma produção física inédita. Eu particularmente aceito todas sejam elas complementares ou agrupando-as.

Já o processo criativo é algo que depende de fases, mas mais do que isso, eu analiso como um consumo total da união inspiração-transpiração. E não falo do tamanho físico do resultado final ou da complexidade do mesmo. Pensando assim você pode, por exemplo, considerar qualquer objeto que se encaixe nas definições de criatividade tranquilamente como um produto de um processo criativo. Vejam as invenções: elas têm tamanhos e utilidades variadas, cada um com seu valor, mas resultado da idéia (inspiração) e da execução (transpiração).

Bom, passando essa pequena introdução, eu quero falar da arte que eu publico aqui hoje. Quando pensei em fazer esse desenho, a primeira coisa que me veio na cabeça não foi fazer algo pretensamente inédito em ilustração, mas algo que eu nunca havia feito, um tipo de arte que eu nunca havia trabalhado ou criado. O start foi um tema que aprecio muito: Música. Até então eu tinha feito alguns rabiscos apenas ou ilustrações que puxassem esse tema, mas nada realmente trabalhado, envolvido.

Eu fiz três modelos de layout, cada um com sua particularidade, mas em todos eu queria fazer uma situação onde uma pessoa estivesse apreciando música e todo o conceito se desenvolvesse usando esse pretexto, deixando-o bem explícito. Como disse, eu nesse caso tentei me importar mais com a produção da cena em si do que qualquer originalidade da obra, a não ser pelo fato de que a produção dela seria original para mim.

O primeiro passo foi desenvolver uma ilustração que até então eu queria encaixar como estampa do personagem. Se ela ia à frente, costas, não interessava. Assim que a ilustração da garota foi feita e eu resolvi que iria numa jaqueta para ter um destaque relevante, minha intenção foi ilustrar de forma que fosse mesmo interessante aquilo ser aplicado num tecido.

Enjoy Music - Ilustração Estampa: lápis e finalização


Trabalhei e detalhei a arte como uma estampa comercial. No caso da estampa, quis embutir alguns conceitos que não deixassem um vazio na garota e que também caminhassem com a idéia da apreciação musical. Como o rapaz ia estar de costas e o fato de ele estar ouvindo um mp3 player não ficasse tão visível, esse conceito ia estar – mesmo que subjetivamente – anexado na estampa. Os círculos nesse caso representam as ondas sonoras se propagando. Lembrei do logotipo da marca “Gradiente”. Para equilibrar melhor e ajudar na composição, o arco externo tem símbolos musicais, clipes de objetos sonoros e referências visuais que tem a ver com música. As únicas letras que aparecem soltas escrevem, esporadicamente, “Enjoy Music”, o título que dei para toda a obra.

Enjoy Music - Ilustração Estampa: detalhes


Enjoy Music - Ilustração Estampa: detalhes


Enjoy Music: estampa


Como já tinha deixado o destaque conceitual para a estampa, guardei a técnica para a ilustração. Quis fazer uma alusão à colagens, como se fosse algo de um certo modo “artesanal”, imaginando que eu fosse “recortar e colar”. Os logotipos, por mais que não estejam perfeitamente alinhados horizontalmente, seguem uma linha cronológica do tempo, tendo como grupo inicial os Beatles. Usei bandas que deram sua contribuição à algum estilo, destaque na mídia ou que eu simplesmente gosto. Na escolha delas, não me apeguei tanto, pois não queria que lá ficasse a “grande sacada” de tudo, mas sim o contexto geral de todo o desenho.

Enjoy Music: Detalhes da ilustração


Para a parede, eu de início pensei em fazer um grafite ou qualquer coisa parecida, mas com certeza isso ia poluir demais a arte e todo o conjunto ia se perder. Por esse motivo, usei uma imagem-textura e trabalhei nela digitalmente mesmo, inserindo apenas uns símbolos que usei prontos, só manipulando-os para não haver muita distinção no visual. A arte finalizada ficou assim:

Enjoy Music - Ilustração


O maior objetivo da produção dessa ilustração era mesmo uma ousadia pessoal. Fazer algo que nunca havia experimentado fazer, mas que já possuía domínio tecnicamente falando. Ou seja, algo que eu soubesse teoricamente, mas que nunca havia colocado em prática. Considero criativa essa ilustração, por que eu mesclei elementos até então inéditos para mim e precisei resolver a idéia de maneira que eu transpusesse qualquer problema que surgisse e parecesse interessante independente dos clichês que fossem expostos.

Encerro essa postagem com uma frase do eternizado Andrew Loomis, que para mim significa muito e teve uma parte dela nessa ilustração: “Não há ´dom` ou talento tão grande que dispense a necessidade do conhecimento fundamental, prática muito diligente e esforço árduo.”

Ou seja: não adianta se todos falam ou você acha que possui um talento extraordinário, um dom supremo e deve usufruí-lo como se fosse a última bolacha do pacote. Se você não estuda, desenvolve-se ou sua a camisa, esqueça. Os obstáculos sempre vão existir e cabe somente a você medir o tamanho do problema e da dificuldade.

Até o próximo post (que prometo não demorar muito).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Reforma ortográfica não é chata

A integração entre texto e imagem é – em minha opinião – uma das funções principais da ilustração, até mesmo pelo fato desta muitas vezes tornar-se mais importante que o próprio texto.

Dentre os trabalhos que costumo fazer encontra-se produzir ilustração para alguns textos sobre gramática e ortografia em geral. Textos dessa natureza são geralmente maçantes então, quando você se dispõe a fazer uma arte para acompanhar regras e normas da língua portuguesa, “quebrar o gelo” e atrair a leitura tornam-se objetivos fundamentais para o bom resultado do seu trabalho.

No case que vou apresentar nesse post, a empresa ia publicar uma seqüência de textos online sobre a reforma ortográfica. Como ia ser uma “mini-série”, achei interessante fazer como primeira arte uma espécie de “abertura”. Então fiz um layout bem simples para visualizar a idéia, que depois de aprovada, foi esboçada e então concluída.

Reforma Ortográfica - Processos



Quando o tema foi concluído, a sugestão partida da cliente foi para simular uma “inauguração” da palavra “Ortografia”, já concluída. Logo, essa arte acabou servindo como um gancho para a próxima. Seguem as imagens:

Reforma Ortográfica - Arte um


Reforma Ortográfica - Arte dois



A ilustração foi publicada na web num tamanho um pouco menor que este e bastante limitado. Então a arte-final acabou comprometendo-se um pouco, já que eu não poderia detalhar demais os personagens. Dessa maneira, a preocupação ficou voltada para as cores e o quanto definido estariam as cenas, para que o conjunto da arte fosse percebido.

Reforma Ortográfica - Detalhes



A criação de uma arte que possa estimular uma continuação, como foi feito nesse caso, pode ser uma ótima sacada comercial, já que você permite que a próxima idéia nasça pronta e você cuide apenas da execução. Por esse motivo, aproveitar alguns personagens foi imprescindível para que ambas as ilustrações se completassem. Sem contar que eu tive de usar as mesmas cores também, para que essa ligação fosse feita com muito mais facilidade pelo leitor.

Reforma Ortográfica - Detalhe Personagens



Aliás, a cena final entre o engenheiro e o arquiteto dando as mãos me faz lembrar que toda essa arte foi feita com colaborações. Mesmo eu cuidando de praticamente toda a arte, em nenhum momento eu fiquei com ela só em minhas mãos. Trabalhar em equipe traz inúmeras vantagens e torna seu trabalho muito mais profissional.

É uma pena que nem todos tenham esse espírito de união. Faz muito tempo que eu não vejo vantagem alguma em produzir sozinho ou dentro de casa. As pessoas ainda não perceberam que para um crescimento profissional, sair da tal “zona de conforto” é algo obrigatório. Como disse o ator Will Rogers uma vez: "De vez em quando é preciso subir num galho perigoso, porque é lá que estão as frutas".

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Senhoras e Senhores, conheçam: ERIK LARSEN


Além de simplesmente expor trabalhos pessoais, minha intenção com esse blog é a de mostrar um pouco do processo e até mesmo acabar por orientar ilustradores que estão iniciando no mercado, ou pretendem se envolver mais com técnicas e mercado.

Não tenho décadas de experiência. Das últimas gerações de ilustradores, eu fico mais ou menos no meio-termo. Eu sou da turma que aprendeu as técnicas tradicionais, mas quando saiu pro mundo, encontrou um computador pela frente. Acredito então que alguns conselhos que pretendo dar aqui para os que começam serão bem compreendidos.

Exclusivamente nessa postagem eu não vou me prolongar muito falando sobre mercado, por que não é a intenção dessa vez. Quero falar de resgates de valores que só tendem a acrescentar conteúdo a quem está iniciando. Para ser mais preciso, quero falar sobre ilustradores, desenhistas e artistas em geral que me influenciam ou me inspiram e porventura podem também servir de inspiração para alguém. Por que, quem são, o que fazem e o que podem acrescentar para quem quer saber mais sobre técnicas, estilos e o que mais vier.
O “primeiro convidado” não é alguém majestoso ou de grande destaque na opinião de muitos que adoram quadrinhos, mas seu estilo e filosofia foram suficientes para influenciar meu estilo e até minha técnica para desenho.

Erik Larsen é desenhista e roteirista de quadrinhos estadunidense (ou norte-americano). Teve sua estréia profissional em 1983 com Megaton, de Gary Carlson, mas seu trabalho de grande destaque foi quando substituiu Todd McFarlane na produção de Homem-Aranha, em 1990. Eu comecei a acompanhar o trabalho dele em 1994, época em que eu estava muito interessado em adquirir um estilo para “comics”. Eu devorei informações e materiais que continha seu trabalho. Como ele já havia fundado a Image comics, fui atrás de acompanhar seu trabalho pessoal: a série The Savage Dragon. Como tais HQs não tinham publicação nacional, eu importava as revistas para ter acesso ao material que Larsen estava publicando.

Erik Larsen - The Dragon


O resultado é que fiquei um fã do Dragon (a ponto de hoje ter a tatuagem do logo nas costas) e fui influenciado diretamente pelo seu estilo. Erik é autodidata e sua noção de anatomia, composição e perspectiva são ótimas. Tudo isso aliado ao seu estilo solto e rápido, o que confere a ele a habilidade absurda de produzir de 2 a 4 páginas por dia!

Erik Larsen - Fantastic Four Sketch Up


Antes que qualquer um critique o fato de ele não ser um “bom exemplo” para ilustração por produzir quadrinhos e não ser “aquela” sumidade, eu o destaco não só pela técnica em si, mas pelo fato de ele sempre ser aberto com seu processo de criação. É bem comum encontrar sketches e esboços de seus originais no meio de suas publicações e comentários sobre o material que usa. Larsen além de tudo é um defensor árduo das Hqs clássicas. Aliás, ele tanto o é que ainda acredita no trabalho artesanal. Não sei as quantas anda hoje (já parei a algum tempo de acompanhar seu trabalho, infelizmente), mas até o seu letrista fazia tudo manualmente! Digital mesmo, só as cores da revista. Não podia esperar outra coisa de um cara que abdica sua posição de editor pelo simples fato de priorizar mais o trabalho como desenhista.

Erik Larsen - Next Issue Project pencil rough


Não vou mais a fundo sobre seus trabalhos, por que eles se concentram mais em quadrinhos e ele pode até não ser um referencial mesmo nesse mercado, mas só do fato de ele ser um amante das técnicas artesanais, dos valores tradicionais dos quadrinhos e até desenho – além de possuir um enorme carisma -, já serve como um grande exemplo aos que compartilham da mesma paixão. E sim, o trabalho dele me conquistou mesmo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Criação de Personagens

Há alguns meses vem se discutindo alguns projetos no Estúdio Tris.
A ilustração que segue abaixo foi feita para ser anexada numa das páginas do site do estúdio que está passando por reformulações.

Durante a produção dessa arte eu senti a necessidade de falar algumas poucas palavras sobre a concepção de um personagem e até colocar um “singelo” passo a passo que montei para servir de exemplo.

Etapas de Criação
Personagem completo

Comercialmente falando, é imprescindível que um ilustrador que deseje trabalhar com criação de personagens tenha todos os pré-requisitos necessários para a produção. Deve-se estar intimamente familiarizado com experimentação e representação gráfica, model sheet completo (incluindo o cânone e módulos de construção e aplicação de corpo e rosto), isso sem contar os testes de composição. Como se não bastasse, o bom profissional tem a obrigação de saber produzir style guides até mesmo de personagens já criados onde seu desenvolvimento não foi bem explorado, além de apresentar propostas alternativas na pós produção, como dar treinamento e suporte em caso de um buy-out onde o desenvolvimento fique a cargo de uma equipe interna, por exemplo.

Isso tudo foi para citar o básico nesse processo, mas ainda assim existem ilustradores no mercado que desconhecem metade disso. Com a concorrência atual, você “desenhar bem” é só mais um item. O diferencial está muito mais além.

Hoje devemos estar impecáveis (em todos os sentidos) na hora de divulgar nosso trabalho, nos expormos, mostrarmos serviço e – sem dúvida – como agirmos para escolhermos nossos clientes. Os defeitos que compõem grande parte dos ilustradores (seja ele profissional ou não) são os mais diversos: medo, inexperiência, falta de visão, egocentrismo, entre outros. Isso além de ser péssimo pessoalmente, não agrega nada de valor no futuro.

Viver como ilustrador hoje é simples assim: ou você acredita na profissão ou não. Se você faz parte da turma do “não”, você está perdendo seu tempo lendo isso e ta na hora de você buscar outra saída rapidinho, a não ser que você sinta tesão em viver na miséria a vida toda. Se você está na minha turma, trate de desde já começar a rever seus conceitos e dar um olhar mais crítico para tudo o que você tem feito seja na sua arte, seja na sua postura, seja com suas pretensões. Leia mais, estude mais. Sua arte é fenomenal? Ótimo. Aprenda a vendê-la. Vá a seminários, palestras sobre negociações. Faça cursos, compre livros e mais livros sobre marketing, por exemplo. Essas etapas estão impecáveis? Então ouse. Saiba onde agir (adoro essa palavra) e com quem.

Eu encerro essa postagem dando o meu adeus para essa linha de publicação do Blog. Até hoje mostrei alguns desenhos, meu estilo, um pouco de minha arte e versatilidade. A partir dos próximos posts vou “começar pra valer” a mostrar meus trabalhos e falar um pouco mais sobre o verdadeiro diferencial do ilustrador que é a criatividade. Vou mostrar como estou explorando minhas idéias de modo comercial e onde é que se sai ganhando. Algumas ilustrações ainda serão publicadas, mas não mais com a mesma intenção que eu venho fazendo. Em breve publico um material que já está saindo do forno: a “revitalização” da “Nossa Turminha”, criada originalmente em 1992. Até lá.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ilustração Vetorial: Quando o papel encontra a tela

Hoje resolvi mostrar um trabalho de ilustração que gostei muito de fazer. É um trabalho "pessoal" digamos, mas que resolvi me dedicar muito, pois são pessoas que possuo um extremo carinho, além de servir como uma "test-drive" para estilo e portfolio. Vamos lá:

A ilustração a seguir é do meu primo Fábio e sua esposa, Ligia. Fui padrinho de casamento dos dois e eles me pediram para que eu fizesse uma ilustração para um quadro onde este ia ser exposto na frente para a recepção e assinatura/dedicatória dos convidados. A arte é essa abaixo:

Fabio + Lígia - arte em vetores

Nessa época - meados de 2008 - eu estava "brincando" com técnicas, experimentando meus traços, softwares, enfim, explorando todo o conhecimento que eu tinha em mãos. Quando me foi pedida essa arte eu perguntei se podia fazer num estilo que eu estava há algum tempo praticando, o de ilustração digital/vetores.

A minha maior intenção - e desafio - na ilustração digital era de passar todo o meu estilo gráfico para o trabalho com as ferramentas que o software dispunha. Até então eu já tinha fuçado bastante, feito várias experiências até com sucesso, mas não tinha chego no meu principal objetivo: "imitar" meu traço à mão.

Criar uma identidade para seus desenhos é uma coisa imprescindível. Por mais versátil que seja seu trabalho, por mais diversificada que seja sua área de especialização, olhar para uma obra e saber que aquilo é seu, que é algo que você desenvolveu sozinho, é muito importante.

Mas continuando, a ilustração foi um tanto trabalhosa. Enquanto o computador nos dá muitas vantagens, as desvantagens não são desprezíveis. E eu contava com um fator consideravelmente negativo na época: eu NÃO tinha tablet (mesa digitalizadora). Isso quer dizer que toda essa ilustração em vetores que você está vendo foi feita NO MOUSE. E sim, enche o saco.

O trabalho foi feito no Adobe Illustrator CS3 e teoricamente é simples: você usa uma foto para referência simulando uma mesa de luz; abre layers para traços; abre layers para sombras. Trocando as etapas em "miúdos", fica mais ou menos assim:

fabinho & ligia: etapas

É claro que na prática a conversa muda. Como o meu desafio era achar uma identidade pro meu desenho à mão, o segredo então era justamente olhar para o monitor e imaginar o que eu faria se fosse no papel (já comentei isso no post da Ilustração da Heather) ou pelo menos que isso parecesse realmente um desenho.

A grande sacada é você delinear os traços com diferença de espessura e "pincelada", limitando-se a "riscar" apenas o que você traçaria se fosse copiar a ilustração para um papel. É óbvio que em todo o momento que eu estou dizendo isso também quero dizer: "sim, você precisa saber desenhar".

detalhe de ilustração - rosto

Outro fator importante é, além de deixar as "marcas das pinceladas", detalhar áreas como cabelo e fios por exemplo, para dar um toque "manual" mesmo na ilustração em vetores.

detalhe de ilustração - cabelo

Alguns podem dizer "mas para quê tanto trabalho no computador se isso poderia ser resolvido com muito mais prática à mão". É tudo uma questão de objetivo, estilo e intenção. É como dizer "desenhe um pato". Eu tenho muitas opções para realizar esse desenho: realista, infantil, 3D... depende de como eu ou o cliente quer o resultado. Não tenha dúvidas de que se eu fizesse no papel ia ser mais rápido e ia ficar diferente. Não interessa se pior ou melhor. Interessa atingir o objetivo pretendido. E Nesse caso, o resultado pretendido era exatamente esse.

Gostei muito de fazer esse desenho. A recompensa moral também é válida, claro. Num casamento onde os donos da atenção são os noivos, você roubar um pouquinho para você ajuda também a validar a arte e o esforço.

Hoje, essa ilustração está numa moldura, pendurada na parede da casa de meu primo, rodeada de assinaturas das pessoas que ficaram boquiabertas por alguns segundos onde apreciaram - e valorizaram - minha arte.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mais HQ - Oldie But Goodie

Há cerca de 20 anos atrás eu comecei a colecionar HQs. Minha primeira aquisição foi "Capitão América nº 127 - Desmascarando o Carrasco". Mas na verdade meu primeiro contato com "super-heróis" foi um pouco antes, quando eu joguei pela primeira vez o Super Trunfo de heróis da Marvel.
Algumas semanas depois eu comprei uma cartolina e desenhei indiscriminadamente minha primeira série de heróis e vilões.
No meio desse bolo todo tinha um que levou o nome de "Swoog". Esse nome esquisito tinha uma história mais esquisita ainda, mas acabei levando pra frente.

Passa ano, eu adotei ele como meu personagem principal. Fiz algumas HQs (completamente amadoras e sem pretensão alguma), outras artes que inclusive entraram numa exposição com alguns amigos em 1996 e dei minha "última tacada" em 1998, quando ainda tinha intenção de levar ele e mais uma gama de personagens em alguam empreitada.

A ilustração que segue abaixo é uma das últimas que fiz do tal Swoog na época dessa empreitada e deixei inacabada. Até semana passada, quando resolvi fazer uma arte final nela e saiu assim:

Swoog - 20 anos

Pedi pra Silvana que trabalha comigo passar uma cor digital (imagem da esquerda) e eu dei só um toquezinho de luz (imagem da direita) para concluir a arte:

Swoog 20 anos - Estilos de Cor

Confesso que foi bem prazeroso e nostálgico fazer isso. Hoje - como eu já afirmei em posts anteriores - eu não tenho nenhuma intenção de trabalhar com o mercado de quadrinhos, mas não posso negar que devo muito do meu estilo e minha paixão pela ilustração aos meus anos carregados de muita ação e onomatopéias!

quinta-feira, 19 de março de 2009

The Comic Sketch Book

Um dos primeiros sketch books que eu fiz, no sentido de pegar umas folhas e só usar para fazer roughs e layouts, foi há pouco mais de 10 anos atrás. Como qualquer garoto que adora desenhar, eu sempre fui muito fã de quadrinhos. No meu caso, me interessava mais pelos quadrinhos de super-heróis. Já colecionei Capitão América, Hulk, Vingadores, Homem-Aranha e - minha maior coleção - The Savage Dragon.
Eu me identifiquei muito com o traço de Erik Larsen, por ele ter essa técnica mais rápida, fazer ótimas composições e movimentos, além de ter uma ótima noção de expressão, o que eu adoro.

Sketch Book Quadrinhos 01

O que está separado aqui são alguns esboços e estudos que fiz quando jovem. Especificamente esses são de um universo de personagens que eu criei. Todos com nomes, origens, personalidade e tudo mais. Eu achava interessante essa idéia de criar problemas pessoais nos personagens, tramas e algumas fragilidades, muito mais por ter lido Homem-Aranha do que Watchmen (que na verdade, nunca li inteiro).

Sketch Book Quadrinhos 02

Algumas dessas artes eu resolvi - ainda na época - dar uma "finalizada", com material próprio de sketch book mesmo, como caneta futura, ultra-fine, pilot, etc. Mas ainda assim não perdeu a cara de "caderno de esboços".

Sketch book Quadrinhos 03

Esse estilo de desenho sempre me agradou. Hoje eu o evoluí. Dessa época o que eu tiro de positivo é a agilidade que eu ganhei ao fazer uma ilustração, que levando-se em conta a produção de layouts paar agências é bem válido. Mas eu não tenho mais alguma pretensão em trabalhar com quadrinhos ou algo parecido. Não que eu tenha jogado meu tempo fora, muito pelo contrário. Essa época foi deliciosa. Eu desenhava o tempo todo e de forma apaixonante. Uma pena que algumas pedras no caminho me fizeram tropeçar e atrasaram minha carreira (é o que se ganha morando em uma cidade atrasada), mas o grande lance é você viver o presente, deixando o passado apenas como lembrança ou experiência.

E simbora que o mundo tá girando! Logo eu publico um esboço feito em 1998 que eu resolvi finalizar esse ano.
Antes tarde do que nunca...

terça-feira, 17 de março de 2009

The Tablet Sketch Book

Photobucket

Faz alguns poucos meses que eu adquiri minha primeira mesa digitalizadora, também conhecida como Tablet. Logo, concluam todos como que eu fiz minhas ilustrações digitais e vetoriais... :)

Desde então eu venho utilizando-a em tudo que faço digitalmente. Mas para "pegar a manha" no traço eu - sempre que posso - pratico numa espécie de "sketch book" virtual que eu criei.

Hoje eu já dominei essa ferramenta, o que me fez diminuir essa prática e resolver postar aqui. Eu tentei criar alguns "estilos" nos traços e dar uma cara de "Lay-out" para uns, de "arte final" para outros.

Photobucket

Esse é meu livro de esboços digital. Todos esses "rabiscos" são feitos com a caneta digital no Photoshop usando os pincéis lá disponíveis. Em breve eu publico aqui alguns que fiz "analogicamente", na famosa mão raçuda, com a diferença de alguns bons anos ao invés de semanas.

Photobucket
Photobucket

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

The Kid - arte final (versão editorial)

Um pouco mais de um mês (e uns tópicos) atrás eu publiquei um trabalho meu chamado "The Kid" na versão "lay-out". Como prometido, eu fiquei de publicar a "arte-final" do mesmo aqui em breve.

E voilá!

Criança Vintage

Eu acabei dando uma cara editorial, mas foi bem proposital mesmo. O tratamento final foi influenciado por trabalhos de ilustração nessa área, o que eu realmente não tenho tanta "intimidade" digamos.

Eu ando bem exigente, pra não dizer pretensioso, o que faz com que eu ainda ache que esse trabalho (assim como outros que fiz e ando fazendo) não chegou no resultado final que eu esperava.
Quando eu imagino um trabalho que pretendo fazer eu costumo fantasiar a obra completa: lápis, cores, tratamento...
Logo, qdo não consigo obter esse resultado, acabo tendo que tomar umas medidas um tanto quanto "drásticas".
Mas não é o caso desse. Não ficou oque esperava, mas não disse que está ruim. :)

Anotem aí: lápis, pincel descartável e cor digital.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rock Candy

Ela era para ser uma garota toda manhosa, delicada... mas meu espírito rock'n roll não deixou. cada vez eu ia traçando (no sentido literal) no papel ela saia mais rebelde, mais "hard rocker".

O que eu estou publicando aqui é o terceiro resultado de cor dela. E acredito que definitivo. Eu gostei do primeiro, que saiu duotone e cheio de traços de reflexo pelo cabelo e blusinha. O segundo são as cores normais, com sombra e tal,. O terceiro tem a mão do Flávio do estúdio, onde foi trabalhada uma luz em foco no rosto (realçando o olhar) e eu completei com uma tatuagem no ante-braço.

Seguem os resultados na ordem:

Photobucket

A abaixo, a ilustração um pouco maior:

Photobucket

Mal pela demora de postagem... culpa das turbulências mentais e crises de criatividade.
:)

Em breve quero publicar aqui um modelo de storyboard. Stay tuned.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Oldies But Goodies

Em meados de 1998 eu conheci o arquiteto Lauro Pinotti em uma aula preparatória de vestibular, para prova prática de arquitetura. Naquela época eu estava desenhando compulsivamente e bastante focado em quadrinhos de heróis. Claro que minhas pretensões eram limitadas, mas eu tenho um certo carinho por esse período por que acho que foi um dos últimos momentos da minha vida em que eu "filosofava" ilustração. A paixão sobrepunha a profissão e muito do que eu fazia eu colocava extremo sentimento e experimentação.

Lauro era extremamente profissional no que fazia, adorava ilustração e era uma pessoa bastante interessada em novas mídias. Foi com ele que eu tive acesso pela primeira vez com HTML e construção de web-sites. Ele tinha um livro que adaptou o roteiro para cinema e veio me mostrar. A idéia era transformar em HQ impressa, oq posteriormente evoluiu para uma HQ online.

Uns 2 anos depois eu já tinha perdido o contato com esse projeto, mas resolvi construir uns exemplos de expressão corporal e facial - num estilo meio "sketchbook" - dos personagens que eu criei para esse roteiro, para ver se eu ainda lembrava deles. Todos estavam mais "evoluídos" no meu traço e achei empolgante eu ainda dar mais personalidade do q as ilustrações originais. Segue abaixo uma montagem desses desenhos (lápis, pincel e nankim):

Photobucket

Os projetos acabaram não vingando, mas muito mais de minha parte. Algumas edições o lay-out ficou ok e na online rolaram poucas artes. tentei retomar contato com o Lauro depois de uns anos, mas sempre surge algo que atrapalha ou impede. Curiosamente, meu trabalho de conclusão de curso foi uma releitura das histórias em quadrinhos para web. Acho que essa história do Lauro seria uma ótima proposta para publicação. Quem sabe quando eu encarar tocar de novo meu projeto e abstrair o trabalho que dá isso...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

The Kid

Essa ilustração foi uma das primeiras que fiz quando entrei para o Estúdio Tris. Eu estava praticando um pouco de desenho, traços, referência...
A foto original é bem pequena (aprox. 5cm x 7cm), então deu um certo trabalho para reproduzi-la em um A4, sem contar que eu estava definindo ainda o estilo da arte.
Eu acabei deixando de lado o esboço quando acabei e alguns dias atrás eu decidi retomar. Quero aproveitar que as coisas andam calmas por aqui e fazer algo diferente com esse desenho todo: quero em um mesmo desenho treinar lay-out e arte-final.
Segue abaixo primeiro a versão Lay-out... em tons vermelhos, com sombras e tudo mais.

The Kid Lay Out

Assim que terminar a versão "arte-final" eu publico aqui.


Mudando um pouco de assunto... vocês conhecem o game "Spore"?
É praticamente uma aula prática de concept art, exceto pelo detalhe que a EA fica com todos os direitos sobre as criações.

Tô pensando em quando terminar um planeta eu publicar a versão "desenhada" da minha criatura aqui. :))

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tira Big & Bill: passo a passo - da idéia à publicação

Desde 2003 as tiras de humor "Big & Bill" são publicadas no Jornal de Piracicaba. A autoria delas é dividida com o desenhista, tatuador e amigo de longa data Bill Scarpitti. O nome dos personagens veio de apelidos que possuimos entre nosso círculo de amizade, além de algumas caracteristicas físicas para a criação. Vou deixar para contar a história toda em outra oportunidade. Hoje quero mostrar um pouco de como funciona o processo de criação da tirinha, desde a idéia até a arte concluída e publicada no Jornal.
Eu e Bill costumamos dividir algumas tarefas, mas essa foi um tira integralmente produzida somente por mim. Então, tomei a liberdade de mostrar o meu passo a passo (que não significa exatamente o passo a passo "oficial" da produção).

1. A idéia:

Sim, ela vem do nada, em qualquer lugar e por qualquer motivo. Vez ou outra preciso de uma inspiração, como ler algum artigo de humor, ver algum filme ou lembrar de alguma tira antiga que possa ser tomada como base de idéia. Ou simplismente vem como essa, onde eu sento, abaixo a cabeça, olho pro papel e deixo a mente borbulhar.


Esse papel acima é basicamente o rascunho principal. Muitas vezes eu tenho uma idéia pro primeiro quadro, deixo o segundo apenas guiar e faço o desfecho no terceiro. Como podem ver, a cena não mudou nada, mas houveram inúmeros rabiscos até achar uma frase que fechasse melhor a história. Algumas vezes isso acontece simplismente por economia de espaço.

2. O desenho:

Lapiseira, régua e (extinta) caneta Futura (sim, ainda temos um estoque aqui no estúdio). Já está suficiente

Tira 260 (PB)

Nessas tiras e outras mais recentes eu tenho feito o esboço a parte e então finalizado em mesa de luz. Eu então digitalizo para o photoshop e monte numa "moldura" pronta que tenho salva no software. Isso poupa algum tempo, o que é interessante em tiras semanais ou diárias.

3. As cores:

Nessa tira eu ainda fazia as cores no mouse, usando os pincéis do photoshop. Desde o fim de 2008 eu já possuo uma tablet/mesa digitalizadora que é muito mais profissional e prática.

Tira 260 (cores)

Não tem muito segredo. Pinto sem pretensões, usando o mínimo de referência de luz, sombra e cores que possuo. O importante é seguir o mesmo estilo de pincel em todas (Wet Media) e a palheta de cores dos dois.

4. Os textos:

Pode parecer simples, mas essa parte é onde eu costumo tomar muito cuidado para não comprometer todo o trabalho. Não adianta nada se uma tira for excelente e o cara não conseguir entender as letras pequenas ou acompanhar algum erro crasso de português. Sem contar que essa é última etapa. Faço no Illustrator e aí exporto para o Photoshop. "Simples" assim. O resultado final é esse abaixo:

Tira Big & Bill (nº 260)

Muito bem. Mais alguma dúvida?
Se precisarem de mim, estarei na prancheta fazendo a desta semana... :)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Teste de Layout - Briefing: Praia

Esse post é sobre o último layout que eu produzi, mas o primeiro com o objetivo de treinar estilos e cores.
Uma das coisas essenciais de um lay-out é você poder resolver o briefing em poucas horas. Por esse motivo, é extremamente importante que você esteja familiarizado com as ferramentas do computador que irá utilizar, com o estilo de traço que irá seguir e principalmente com a composição.
Andrew Loomis em seu livro "Creative Illustration" apresenta várias formas de composição: baseada em linhas, letras e símbolos, formas geométricas além de outros princípios. O "esqueleto" primário desta composição deveria ser um "A" de ponta cabeça, onde o corte seria a linha do horizonte.
Para essa ilustração, Flávio Mota - outro ilustrador do Estúdio Tris - me ajudou com alguns toques. A maior dificuldade foi achar alguma lógica em todos os elementos dos personagens. Eles estão na praia, mas não necessariamente "estão" na praia, se é que me entendem.
Anteriormente eu dei uma palhinha da arte no estágio final, onde as pessoas já estariam prontas restando apenas o cenário de fundo. A arte abaixo é de como ficou o layout finalizado:

Teste de Layout - Briefing praia

O cenário como foto-montagem serviu apenas de referência para a composição. Como o desenho dele ia ser feito a parte (assim como todos os outros elementos), preferi cuidar pelo menos da perspectiva e deixar os elementos complementares (montanha, coqueiros) para resolver no "olhômetro".
De embalo, tentei também resolver os tons e cores do fundo, mexendo no Photoshop mesmo. E se você comparar com o primeiro post, as cores dos rapazes da esquerda tiveram que ser refeitas, também para se adequar melhor ao fundo.
A ilustração foi feita a lápis, digitalizada, e colorida no PS CS3. Separei um detalhe abaixo para ter uma melhor visão dos traços e do estilo de pintura. Vale reforçar que a cor do casal e da moto foi feita no mouse e a do fundo na minha nova tablet.

Detalhe de Layout

Como "treino" foi considerável. Infelizmente o resultado não saiu exatamente como desejei. não cheguei no estilo que estava afim de obter e ainda preciso achar um acabamento um pouco melhor para esse "rough". Mas eu fiz em partes, de pouco em pouco, durante praticamente um mês. Acho que se fosse fazer direto, demoraria uns 2 dias, o que é inaceitável para um layout. Mas como prática... sim, é válido, já que nesse tempo todo eu tive que fazer uma bela busca de referência, fui fazendo testes e experimentando estilos e técnicas.
Se eu fosse repetir essa arte igualzinha agora, acho que em uma tarde ficaria pronto.

Próxima atualização deste blog: "Big & Bill" e um básico passo-a-passo. Até lá.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ilustração vetorial: Passo-a-passo - Heather

A vantagem de possuir uma habilidade de desenhar "na mão" é bem relevante quando você vai para um software no computador. Ao menos pra mim, a impressão que dá é que as coisas se resolvem com mais facilidade.
Seja usando o mouse ou uma tablet, a primeira coisa que penso quando uso uma ferramenta do Adobe Illustrator (meu programa preferido de ilustração vetorial) é: "Como eu faria se fosse no papel?". Particularmente, quando comecei a resolver as ilustrações digitais dessa forma, consegui transmitir muito do meu estilo "analógico" pra dentro do computador e isso pra mim foi o máximo.
Eu não sou fã de fazer um passo-a-passo ou tutorial, muito mais pela mão de obra que dá. Mas como esse deu um certo trabalho e eu estava separando as imagens iniciais, resolvi publicar aqui as etapas da minha última arte vetorial.
Raramente eu faço isso com ilustrações no computador, mas pra essa eu tive uma espécie de "visão" e eu considero nesse caso um "lay-out" uma Etapa Zero. É onde tudo começa... da cabeça pro papel:

Lay-out (esboço da idéia inicial):
Ilustração vetorial: etapa zero (esboço da idéia)
Nesse caso eu imaginei uma cena bem erótica, mas nada com nudez explícita, onde a cena ia ser composta por arranjos florais e outros objetos abstratos.

Meu primeiro passo a partir daí foi transformar isso numa arte digital. Busquei no meu banco de imagens uma cena que se parecesse com essa e achei uma praticamente igual, a não ser pelo fato de que a mulher ia estar completamente exposta. A modelo chama-se Heather e resolvi usar a cena do jeito que está na Primeira etapa:

Etapa um - vetores e delineações:
Ilustração vetorial: Primeira Etapa
A referência é a imagem número 1. A maior dificuldade quando se trabalha dessa forma é ir descobrindo o que você delineia e o que realmente você quer desenhar. É só notar a variação das formas do corpo da modelo na imagem 2 para a imagem 3. As formas foram adaptadas do original para dar um corpo mais "sexy" e ousado. Na imagem 4 eu tive que usar um pouco a "imaginação": na foto original, os pés eram cortados. Eu precisei esboçar no Illustrator mesmo um pé sem nenhuma referência. É trabalhoso, principalmente pelo fato de eu só ter usado MOUSE em toda a digitalização(ainda não trabalhava com Tablet), mas o resultado final me agradou.

A partir da ilustração da modelo concluída, o passo seguinte seria elaborar um fundo/composição para a arte. Eu tenho um banco de imagens e fontes vetoriais que era perfeito para ser usado:

Etapa dois - Composições:
Ilustração vetorial: segunda etapa
Pode parecer fácil, mas a grande dificuldade de você usar shapes soltos é que eu precisava criar uma espécie de "massa" de imagens sem que ficasse exagerado demais ou destoasse da ilustração. Outro fator que dificultou foi que eu resolvi não fazer a manta de seda da foto original e eu queria preencher esse "buraco". Foram horas e montagens e acabei chegando numa composição bem razoável. Não ficou exatamente como eu queria, mas aí era cargo do cenário de fundo.

Busquei uma imagem para compôr o cenário de fundo. Caso não achasse, ia ter que acabar fazendo por conta mesmo, o que levaria mais tempo ainda e muito mais saco do que eu já tenho. É aí que vamos para a...

Etapa três e quatro - cenário de fundo:
Ilustração vetorial: terceira etapa
Antes de completar com o background oficial, eu joguei uma camada de degradê radial para dar o efeito que queria quando mesclasse o fundo original.

Ilustração vetorial: quarta etapa
A imagem (figura 9 e 10) foi baixada do site Stock.xchng. Uma ótima sugestão para quem quiser procurar imagens com royalty-free. Era perfeita para ajudar na cena. Só precisei revertê-la horizontalmente e deixar em tons de cinza para casar com as cores que eu estava utilizando.

Finalização:

Eu adoro trabalhar com camadas. Para fechar a arte eu usei o Adobe Photoshop. Como toda a arte no Illustrator estava separadinha e organizada em camadas, passar para o PS e editar foi muito prático.
Lá eu só mesclei e configurei a layer do cenário abstrato para que o fundo ficasse leve. Gerei mais alguns filtros nos traços e o resultado final ficou assim:

Ilustração vetorial: finalização

Eu comecei essa ilustração no começo de Dezembro e fui fazendo aos poucos. Hoje foi a conclusão. Tem mais umas 3 versões da arte e provavelmente eu ainda dê outras caras para ela. Essa é uma das maravilhas de se trabalhar no computador. :)