segunda-feira, 30 de março de 2009

Ilustração Vetorial: Quando o papel encontra a tela

Hoje resolvi mostrar um trabalho de ilustração que gostei muito de fazer. É um trabalho "pessoal" digamos, mas que resolvi me dedicar muito, pois são pessoas que possuo um extremo carinho, além de servir como uma "test-drive" para estilo e portfolio. Vamos lá:

A ilustração a seguir é do meu primo Fábio e sua esposa, Ligia. Fui padrinho de casamento dos dois e eles me pediram para que eu fizesse uma ilustração para um quadro onde este ia ser exposto na frente para a recepção e assinatura/dedicatória dos convidados. A arte é essa abaixo:

Fabio + Lígia - arte em vetores

Nessa época - meados de 2008 - eu estava "brincando" com técnicas, experimentando meus traços, softwares, enfim, explorando todo o conhecimento que eu tinha em mãos. Quando me foi pedida essa arte eu perguntei se podia fazer num estilo que eu estava há algum tempo praticando, o de ilustração digital/vetores.

A minha maior intenção - e desafio - na ilustração digital era de passar todo o meu estilo gráfico para o trabalho com as ferramentas que o software dispunha. Até então eu já tinha fuçado bastante, feito várias experiências até com sucesso, mas não tinha chego no meu principal objetivo: "imitar" meu traço à mão.

Criar uma identidade para seus desenhos é uma coisa imprescindível. Por mais versátil que seja seu trabalho, por mais diversificada que seja sua área de especialização, olhar para uma obra e saber que aquilo é seu, que é algo que você desenvolveu sozinho, é muito importante.

Mas continuando, a ilustração foi um tanto trabalhosa. Enquanto o computador nos dá muitas vantagens, as desvantagens não são desprezíveis. E eu contava com um fator consideravelmente negativo na época: eu NÃO tinha tablet (mesa digitalizadora). Isso quer dizer que toda essa ilustração em vetores que você está vendo foi feita NO MOUSE. E sim, enche o saco.

O trabalho foi feito no Adobe Illustrator CS3 e teoricamente é simples: você usa uma foto para referência simulando uma mesa de luz; abre layers para traços; abre layers para sombras. Trocando as etapas em "miúdos", fica mais ou menos assim:

fabinho & ligia: etapas

É claro que na prática a conversa muda. Como o meu desafio era achar uma identidade pro meu desenho à mão, o segredo então era justamente olhar para o monitor e imaginar o que eu faria se fosse no papel (já comentei isso no post da Ilustração da Heather) ou pelo menos que isso parecesse realmente um desenho.

A grande sacada é você delinear os traços com diferença de espessura e "pincelada", limitando-se a "riscar" apenas o que você traçaria se fosse copiar a ilustração para um papel. É óbvio que em todo o momento que eu estou dizendo isso também quero dizer: "sim, você precisa saber desenhar".

detalhe de ilustração - rosto

Outro fator importante é, além de deixar as "marcas das pinceladas", detalhar áreas como cabelo e fios por exemplo, para dar um toque "manual" mesmo na ilustração em vetores.

detalhe de ilustração - cabelo

Alguns podem dizer "mas para quê tanto trabalho no computador se isso poderia ser resolvido com muito mais prática à mão". É tudo uma questão de objetivo, estilo e intenção. É como dizer "desenhe um pato". Eu tenho muitas opções para realizar esse desenho: realista, infantil, 3D... depende de como eu ou o cliente quer o resultado. Não tenha dúvidas de que se eu fizesse no papel ia ser mais rápido e ia ficar diferente. Não interessa se pior ou melhor. Interessa atingir o objetivo pretendido. E Nesse caso, o resultado pretendido era exatamente esse.

Gostei muito de fazer esse desenho. A recompensa moral também é válida, claro. Num casamento onde os donos da atenção são os noivos, você roubar um pouquinho para você ajuda também a validar a arte e o esforço.

Hoje, essa ilustração está numa moldura, pendurada na parede da casa de meu primo, rodeada de assinaturas das pessoas que ficaram boquiabertas por alguns segundos onde apreciaram - e valorizaram - minha arte.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mais HQ - Oldie But Goodie

Há cerca de 20 anos atrás eu comecei a colecionar HQs. Minha primeira aquisição foi "Capitão América nº 127 - Desmascarando o Carrasco". Mas na verdade meu primeiro contato com "super-heróis" foi um pouco antes, quando eu joguei pela primeira vez o Super Trunfo de heróis da Marvel.
Algumas semanas depois eu comprei uma cartolina e desenhei indiscriminadamente minha primeira série de heróis e vilões.
No meio desse bolo todo tinha um que levou o nome de "Swoog". Esse nome esquisito tinha uma história mais esquisita ainda, mas acabei levando pra frente.

Passa ano, eu adotei ele como meu personagem principal. Fiz algumas HQs (completamente amadoras e sem pretensão alguma), outras artes que inclusive entraram numa exposição com alguns amigos em 1996 e dei minha "última tacada" em 1998, quando ainda tinha intenção de levar ele e mais uma gama de personagens em alguam empreitada.

A ilustração que segue abaixo é uma das últimas que fiz do tal Swoog na época dessa empreitada e deixei inacabada. Até semana passada, quando resolvi fazer uma arte final nela e saiu assim:

Swoog - 20 anos

Pedi pra Silvana que trabalha comigo passar uma cor digital (imagem da esquerda) e eu dei só um toquezinho de luz (imagem da direita) para concluir a arte:

Swoog 20 anos - Estilos de Cor

Confesso que foi bem prazeroso e nostálgico fazer isso. Hoje - como eu já afirmei em posts anteriores - eu não tenho nenhuma intenção de trabalhar com o mercado de quadrinhos, mas não posso negar que devo muito do meu estilo e minha paixão pela ilustração aos meus anos carregados de muita ação e onomatopéias!

quinta-feira, 19 de março de 2009

The Comic Sketch Book

Um dos primeiros sketch books que eu fiz, no sentido de pegar umas folhas e só usar para fazer roughs e layouts, foi há pouco mais de 10 anos atrás. Como qualquer garoto que adora desenhar, eu sempre fui muito fã de quadrinhos. No meu caso, me interessava mais pelos quadrinhos de super-heróis. Já colecionei Capitão América, Hulk, Vingadores, Homem-Aranha e - minha maior coleção - The Savage Dragon.
Eu me identifiquei muito com o traço de Erik Larsen, por ele ter essa técnica mais rápida, fazer ótimas composições e movimentos, além de ter uma ótima noção de expressão, o que eu adoro.

Sketch Book Quadrinhos 01

O que está separado aqui são alguns esboços e estudos que fiz quando jovem. Especificamente esses são de um universo de personagens que eu criei. Todos com nomes, origens, personalidade e tudo mais. Eu achava interessante essa idéia de criar problemas pessoais nos personagens, tramas e algumas fragilidades, muito mais por ter lido Homem-Aranha do que Watchmen (que na verdade, nunca li inteiro).

Sketch Book Quadrinhos 02

Algumas dessas artes eu resolvi - ainda na época - dar uma "finalizada", com material próprio de sketch book mesmo, como caneta futura, ultra-fine, pilot, etc. Mas ainda assim não perdeu a cara de "caderno de esboços".

Sketch book Quadrinhos 03

Esse estilo de desenho sempre me agradou. Hoje eu o evoluí. Dessa época o que eu tiro de positivo é a agilidade que eu ganhei ao fazer uma ilustração, que levando-se em conta a produção de layouts paar agências é bem válido. Mas eu não tenho mais alguma pretensão em trabalhar com quadrinhos ou algo parecido. Não que eu tenha jogado meu tempo fora, muito pelo contrário. Essa época foi deliciosa. Eu desenhava o tempo todo e de forma apaixonante. Uma pena que algumas pedras no caminho me fizeram tropeçar e atrasaram minha carreira (é o que se ganha morando em uma cidade atrasada), mas o grande lance é você viver o presente, deixando o passado apenas como lembrança ou experiência.

E simbora que o mundo tá girando! Logo eu publico um esboço feito em 1998 que eu resolvi finalizar esse ano.
Antes tarde do que nunca...

terça-feira, 17 de março de 2009

The Tablet Sketch Book

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Faz alguns poucos meses que eu adquiri minha primeira mesa digitalizadora, também conhecida como Tablet. Logo, concluam todos como que eu fiz minhas ilustrações digitais e vetoriais... :)

Desde então eu venho utilizando-a em tudo que faço digitalmente. Mas para "pegar a manha" no traço eu - sempre que posso - pratico numa espécie de "sketch book" virtual que eu criei.

Hoje eu já dominei essa ferramenta, o que me fez diminuir essa prática e resolver postar aqui. Eu tentei criar alguns "estilos" nos traços e dar uma cara de "Lay-out" para uns, de "arte final" para outros.

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Esse é meu livro de esboços digital. Todos esses "rabiscos" são feitos com a caneta digital no Photoshop usando os pincéis lá disponíveis. Em breve eu publico aqui alguns que fiz "analogicamente", na famosa mão raçuda, com a diferença de alguns bons anos ao invés de semanas.

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