quarta-feira, 29 de abril de 2009

Senhoras e Senhores, conheçam: ERIK LARSEN


Além de simplesmente expor trabalhos pessoais, minha intenção com esse blog é a de mostrar um pouco do processo e até mesmo acabar por orientar ilustradores que estão iniciando no mercado, ou pretendem se envolver mais com técnicas e mercado.

Não tenho décadas de experiência. Das últimas gerações de ilustradores, eu fico mais ou menos no meio-termo. Eu sou da turma que aprendeu as técnicas tradicionais, mas quando saiu pro mundo, encontrou um computador pela frente. Acredito então que alguns conselhos que pretendo dar aqui para os que começam serão bem compreendidos.

Exclusivamente nessa postagem eu não vou me prolongar muito falando sobre mercado, por que não é a intenção dessa vez. Quero falar de resgates de valores que só tendem a acrescentar conteúdo a quem está iniciando. Para ser mais preciso, quero falar sobre ilustradores, desenhistas e artistas em geral que me influenciam ou me inspiram e porventura podem também servir de inspiração para alguém. Por que, quem são, o que fazem e o que podem acrescentar para quem quer saber mais sobre técnicas, estilos e o que mais vier.
O “primeiro convidado” não é alguém majestoso ou de grande destaque na opinião de muitos que adoram quadrinhos, mas seu estilo e filosofia foram suficientes para influenciar meu estilo e até minha técnica para desenho.

Erik Larsen é desenhista e roteirista de quadrinhos estadunidense (ou norte-americano). Teve sua estréia profissional em 1983 com Megaton, de Gary Carlson, mas seu trabalho de grande destaque foi quando substituiu Todd McFarlane na produção de Homem-Aranha, em 1990. Eu comecei a acompanhar o trabalho dele em 1994, época em que eu estava muito interessado em adquirir um estilo para “comics”. Eu devorei informações e materiais que continha seu trabalho. Como ele já havia fundado a Image comics, fui atrás de acompanhar seu trabalho pessoal: a série The Savage Dragon. Como tais HQs não tinham publicação nacional, eu importava as revistas para ter acesso ao material que Larsen estava publicando.

Erik Larsen - The Dragon


O resultado é que fiquei um fã do Dragon (a ponto de hoje ter a tatuagem do logo nas costas) e fui influenciado diretamente pelo seu estilo. Erik é autodidata e sua noção de anatomia, composição e perspectiva são ótimas. Tudo isso aliado ao seu estilo solto e rápido, o que confere a ele a habilidade absurda de produzir de 2 a 4 páginas por dia!

Erik Larsen - Fantastic Four Sketch Up


Antes que qualquer um critique o fato de ele não ser um “bom exemplo” para ilustração por produzir quadrinhos e não ser “aquela” sumidade, eu o destaco não só pela técnica em si, mas pelo fato de ele sempre ser aberto com seu processo de criação. É bem comum encontrar sketches e esboços de seus originais no meio de suas publicações e comentários sobre o material que usa. Larsen além de tudo é um defensor árduo das Hqs clássicas. Aliás, ele tanto o é que ainda acredita no trabalho artesanal. Não sei as quantas anda hoje (já parei a algum tempo de acompanhar seu trabalho, infelizmente), mas até o seu letrista fazia tudo manualmente! Digital mesmo, só as cores da revista. Não podia esperar outra coisa de um cara que abdica sua posição de editor pelo simples fato de priorizar mais o trabalho como desenhista.

Erik Larsen - Next Issue Project pencil rough


Não vou mais a fundo sobre seus trabalhos, por que eles se concentram mais em quadrinhos e ele pode até não ser um referencial mesmo nesse mercado, mas só do fato de ele ser um amante das técnicas artesanais, dos valores tradicionais dos quadrinhos e até desenho – além de possuir um enorme carisma -, já serve como um grande exemplo aos que compartilham da mesma paixão. E sim, o trabalho dele me conquistou mesmo.

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