terça-feira, 2 de junho de 2009

"Enjoy Music": etapas e conceito da produção

Não sei se é do conhecimento geral, mas criatividade tem várias definições. Desde originalidade da idéia até uma produção física inédita. Eu particularmente aceito todas sejam elas complementares ou agrupando-as.

Já o processo criativo é algo que depende de fases, mas mais do que isso, eu analiso como um consumo total da união inspiração-transpiração. E não falo do tamanho físico do resultado final ou da complexidade do mesmo. Pensando assim você pode, por exemplo, considerar qualquer objeto que se encaixe nas definições de criatividade tranquilamente como um produto de um processo criativo. Vejam as invenções: elas têm tamanhos e utilidades variadas, cada um com seu valor, mas resultado da idéia (inspiração) e da execução (transpiração).

Bom, passando essa pequena introdução, eu quero falar da arte que eu publico aqui hoje. Quando pensei em fazer esse desenho, a primeira coisa que me veio na cabeça não foi fazer algo pretensamente inédito em ilustração, mas algo que eu nunca havia feito, um tipo de arte que eu nunca havia trabalhado ou criado. O start foi um tema que aprecio muito: Música. Até então eu tinha feito alguns rabiscos apenas ou ilustrações que puxassem esse tema, mas nada realmente trabalhado, envolvido.

Eu fiz três modelos de layout, cada um com sua particularidade, mas em todos eu queria fazer uma situação onde uma pessoa estivesse apreciando música e todo o conceito se desenvolvesse usando esse pretexto, deixando-o bem explícito. Como disse, eu nesse caso tentei me importar mais com a produção da cena em si do que qualquer originalidade da obra, a não ser pelo fato de que a produção dela seria original para mim.

O primeiro passo foi desenvolver uma ilustração que até então eu queria encaixar como estampa do personagem. Se ela ia à frente, costas, não interessava. Assim que a ilustração da garota foi feita e eu resolvi que iria numa jaqueta para ter um destaque relevante, minha intenção foi ilustrar de forma que fosse mesmo interessante aquilo ser aplicado num tecido.

Enjoy Music - Ilustração Estampa: lápis e finalização


Trabalhei e detalhei a arte como uma estampa comercial. No caso da estampa, quis embutir alguns conceitos que não deixassem um vazio na garota e que também caminhassem com a idéia da apreciação musical. Como o rapaz ia estar de costas e o fato de ele estar ouvindo um mp3 player não ficasse tão visível, esse conceito ia estar – mesmo que subjetivamente – anexado na estampa. Os círculos nesse caso representam as ondas sonoras se propagando. Lembrei do logotipo da marca “Gradiente”. Para equilibrar melhor e ajudar na composição, o arco externo tem símbolos musicais, clipes de objetos sonoros e referências visuais que tem a ver com música. As únicas letras que aparecem soltas escrevem, esporadicamente, “Enjoy Music”, o título que dei para toda a obra.

Enjoy Music - Ilustração Estampa: detalhes


Enjoy Music - Ilustração Estampa: detalhes


Enjoy Music: estampa


Como já tinha deixado o destaque conceitual para a estampa, guardei a técnica para a ilustração. Quis fazer uma alusão à colagens, como se fosse algo de um certo modo “artesanal”, imaginando que eu fosse “recortar e colar”. Os logotipos, por mais que não estejam perfeitamente alinhados horizontalmente, seguem uma linha cronológica do tempo, tendo como grupo inicial os Beatles. Usei bandas que deram sua contribuição à algum estilo, destaque na mídia ou que eu simplesmente gosto. Na escolha delas, não me apeguei tanto, pois não queria que lá ficasse a “grande sacada” de tudo, mas sim o contexto geral de todo o desenho.

Enjoy Music: Detalhes da ilustração


Para a parede, eu de início pensei em fazer um grafite ou qualquer coisa parecida, mas com certeza isso ia poluir demais a arte e todo o conjunto ia se perder. Por esse motivo, usei uma imagem-textura e trabalhei nela digitalmente mesmo, inserindo apenas uns símbolos que usei prontos, só manipulando-os para não haver muita distinção no visual. A arte finalizada ficou assim:

Enjoy Music - Ilustração


O maior objetivo da produção dessa ilustração era mesmo uma ousadia pessoal. Fazer algo que nunca havia experimentado fazer, mas que já possuía domínio tecnicamente falando. Ou seja, algo que eu soubesse teoricamente, mas que nunca havia colocado em prática. Considero criativa essa ilustração, por que eu mesclei elementos até então inéditos para mim e precisei resolver a idéia de maneira que eu transpusesse qualquer problema que surgisse e parecesse interessante independente dos clichês que fossem expostos.

Encerro essa postagem com uma frase do eternizado Andrew Loomis, que para mim significa muito e teve uma parte dela nessa ilustração: “Não há ´dom` ou talento tão grande que dispense a necessidade do conhecimento fundamental, prática muito diligente e esforço árduo.”

Ou seja: não adianta se todos falam ou você acha que possui um talento extraordinário, um dom supremo e deve usufruí-lo como se fosse a última bolacha do pacote. Se você não estuda, desenvolve-se ou sua a camisa, esqueça. Os obstáculos sempre vão existir e cabe somente a você medir o tamanho do problema e da dificuldade.

Até o próximo post (que prometo não demorar muito).