segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quem tem medo da porcentagem?

Ano acabando, as coisas mais calmas, quero deixar 2010 com pelo menos mais uma postagem. Se é a última, só vou descobrir em 1º de janeiro.:)

Hoje vou publicar aqui uma ilustração que não fiz sozinho, já que defendo trabalho em equipe (claro que depende da equipe e do trabalho) e achei legal mostrar um job que cuidei e tive a contribuição do Flávio.

É uma ilustração institucional, mas com ares de editorial. O briefing era basicamente desmistificar algumas regras gramaticais para concordância envolvendo porcentagem, provando que não era um “bicho de sete cabeças”.

O layout sugerido foi de uma criancinha que “domesticou” seu bicho da porcentagem.

felipe vitti,ilustração


Aprovado, passei direto para o papel e nesse momento já houve alguns dedos de ajuda nas “caricaturas” do dragão. Antes que me esqueça, todo desenho é feito no clássico “lápis e papel”. Em alguns trabalhos não dá para abandonar essa “técnica tradicional”

felipe vitti,ilustração


Já para a arte final, trabalhei no digital. Usei alguns brushes do Illustrator e uns que eu mesmo criei. Particularmente, a preferência é puramente estética, mas acho que ficaria legal essa arte final tanto no digital quanto no pincel ou caneta. Mas para esse resultado bem clean, eu ainda prefiro o vetor.

felipe vitti,ilustração


A cor, o mérito é do Flávio. Eu quis que ele usasse uma técnica que ele fez num trabalho anterior e que com certeza encaixou perfeito nesse.


E o resultado final: voilá!

felipe vitti,ilustração


O trabalho foi publicado num tamanho ainda menor que esse. Isso limitou para a criação de mais elementos ou mais riqueza ainda nos detalhes, mas não acredito que ficou um trabalho “pobre”.

Na minha concepção, o sucesso do trabalho depende muito mais que a sua satisfação, a do cliente. Regra meio básica, mas que muita gente esquece ou ao menos nem faz questão de seguir.

O cliente sempre tem razão? Talvez, mas se o trabalho é para ele e ele está feliz, eu também.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Oldies But Goodies (parte II)

Há alguns poucos meses atrás eu andei vasculhando na casa dos meus pais, mais precisamente no meu "quarto de hóspedes", minhas coisas antigas. Sim, por que é lá que ficam atualmente meus arquivos, de todos os gêneros.
Enfim... numa primeira vasculhada eu achei alguns trabalhos que desenvolvi nos meus primeiros anos de curso de desenho e uns até mais pro final do curso. Houve uma época em que eu nem frequentava mais as aulas, mas acabava aparecendo lá, pelo próprio vínculo que criei com a escola em geral.
E acho que foi num desses momentos, mais precisamente em 1996, que eu acabei fazendo um desenho de observação que, na época, me agradou muito. Eu não lembro exatamente de quem era a referência, mas lembro de ter penado um pouco, pois eu já tinha "perdido a mão" para desenhos somente na base do grafite. Provavelmente nesse eu usei um 2B, 6B e talvez um integral da Cyklop. O desenho é esse:

Mago, 1996



Engraçado como hoje eu só exergo defeitos nessa arte. A proporção está toda torta, há falhas no sombreamento, traços pesados em alguns degradês, contornos marcados e forçados... mas as vezes comparo-a com a de outras pessoas que estão por aí no mercado, procurando trabalho e não consigo achar nada parecido. talvez por que algumas se recusam a passar por etapas como essas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Caricaturas e Cia.

Eu comecei a fazer caricaturas em eventos em 1995, ainda em Piracicaba - SP, meio que por acaso. No ano anterior, eu e alguns amigos lançamos um fanzine (chamado "Mocréia") numa exposição do estúdio de desenho que cursávamos. Na ocasião, armamos - assim como os outros alunos - uma bancada para vender nossas "obras". Nessa época, Lino Vitti, um parente da família e poeta da cidade curtia demais o fato de mais um "Vitti" seguir alguma profissão artística. Quando ele veio prestigiar o evento, pediu para eu fazer uma caricatura dele, só que eu não fazia ideia nem como começar. Então, ele ficou de perfil, para "facilitar" e eu comecei a riscar a folha. Para a minha surpresa (e nem tanto a dele), a caricatura saiu.
Então aos poucos eu fui praticando e praticando. Surgiram os eventos organizados pelo estúdio, com um intuito de divulgá-lo e apresentar os novos artistas e eu sempre estava no meio. Chegava até a ser ridículo, um pirralho, menor que a própria caneta, no meio daqueles marmanjos e aquele mundaréu de gente.
Mas o mais interessante é que eu estava praticando não só a caricatura, mas a habilidade de desenhar, de observar elementos e de expandir estilos de traço. Tudo isso sempre diretão, papel branco e uma pilot preta na mão. Ao vivo, o mais rápido que pudesse (aliás, foi com a caricatura que eu consegui ter mais dinâmica nas ilustrações).

Caricaturas P/B (ao vivo)


Foi assim, contínuo até 1998 mais ou menos. Depois disso fiz algumas coisas esporádicas, uma ou outra caricatura sob encomenda aqui e alí e parei.

Caricaturas sob encomenda (presente)


Eu engatei a primeira de novo em 2008, quando já tinha (re)iniciado meus trabalhos como ilustrador. Confesso que não esperava estar tão enferrujado quando surgiram os primeiros trabalhos e mas também não imaginava que fosse "pegar a manha" tão fácil.
Daí pra frente apareceram também trabalhos para empresas, o que depende de um departamento de marketing ou RH com um case bem redondo em mãos para que toda a ideia funcione.

Caricaturas Institucionais



Fazer caricaturas é tão desafiante quanto qualquer outro trabalho. Ela só funciona se a pessoa está parecida. Se não parece, não rola. Sem contar que não entra na minha cabeça o fato de que alguém não precisa necessariamente desenhar para fazer caricatura. Só se for para fazer uma bela porcaria.
Dessas minhas caricaturas, principalmente as em "real time", é claro que tem algumas em que nem eu engolí, mas por sorte, a grande maioria sempre foi bem recebida.
Até um tempo atrás, eu achava que caricatura pra ser presenteada e guardada, precisava ser feita sob encomenda, colorida, toda bonitinha. Mas a verdade é que todas, até aquelas em que você nem dá tanto valor, sempre terá para alguém (geralmente o caricaturado).
Recentemente, me alegrou muito a notícia de uma pessoa que não só tem um desenho meu desses primeiros anos emoldurado e pendurado na parede, como pinta até um ciúmes em quem mexe naquele mimo. Quando soube, quis ver e até pensei em sugerir uma troca por um mais "atualizado", certamente com maior qualidade e acabamento. Mas é uma besteira minha, por que por mais que eu refaça tantos outros melhores, AQUELE tem também seu valor. Para mim também, pois é gratificante ter a prova de que assim como essa, outras ilustrações sempre fazem parte da vida das pessoas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Nossa Turminha - Since 1992

No post de hoje apresento uma "recapitulação" de alguns personagens que criei em 1992. Originalmente eles foram inspirados em amigos da minha infância (conceitualmente) e nos desenhos da Warner (estéticamente). Nessa época eles chegaram a figurar em algumas tiras de jornais da minha cidade natal, mas foi só. Mas ainda existem e independente de qualquer midia, eles fazem parte de mim, como qualquer criação deve ser. Afinal, filho é pra vida toda.

A Nossa Turminha



Nesse "revival" cuidei de rever algumas personalizações e características psicológicas, mas preferi manter o traço e estilo original, independente de qualquer apelo ou tendência comercial. Enfim, com "pretensões equilibradas".

Rica, Chuvisco, Adão e Dalila


A única atualização foi na criação de novos personagens. Alguns eu havia nunca usado, então tomei essa liberdade de reinventar, baseado sempre no conceito original. E isso foi uma experiência bem interessante. Foi como se toda a lógica que eu tinah comigo agora se mostrasse "útil", afinal, eu era apenas só mais um moleque que sabia desenhar.

Tadeu, Martinha e Mané


Enfim, criar personagens profissionalmente é um trabalho para poucos. Imagina "recria-los". Mas sempre é uma tarefa prazeirosa onde você acaba descobrindo cada vez mais até sobre si mesmo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Unidos Venceremos (?)

Eu sempre fui de trabalhar com conjunto, seja cada um fazendo o seu melhor ou dividindo autoria e produção. Foi assim, por exemplo, com a tira em quadrinhos "Big & Bill" (atualmente sem mídia para publicação).
Quando você trabalha em um estúdio, dividindo espaço com outros profissionais, isso não só é comum, como as vezes se faz necessário.
Estou publicando abaixo uma obra que fiz junto com o Leo Bastos, 100% "artesanal" (já que agora precisamos especificar o que é digital e o que não é).

Godinho - By Vitti & Leo Bastos



O personagem é o "Godinho", que faz parte do projeto infantil do estúdio. Abaixo tem mais imagens do moleque:

Godinho - Criação de Felipe Vitti



Essa ilustração, por ter sido tudo manual, me fz ter um trabalho redobrado, já que o computador faz a gente viciar no "Ctrl + Z" ou "Cmd + Z". Foi feito um esboço a lapis num papel de aprox. 50x40 e então o Leo cuidou de pintar com tinta acrílica. Assim que acabou, finalizei com um permanent marker preto, para segurar um pouco a cor e manter a identidade da ilustração.

A imagem que anexei é uma foto digital (pq digitalizar um papelão desses num scanner a4 tem que ter muito tempo e saco) tratada "malemá", mas que já quebrou um galho para postar aqui e deixar pelo menos o Leo feliz. :)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Senhoras e Senhores, conheçam: LUIS GARCIA MOZOS

Há algum tempo venho pesquisando e observando trabalhos e estilos de ilustradores consagrados ou donos de um portfolio de dar água na boca, principalmente os "mestres" ao redor do mundo. Um que conheci recentemente, mas de cara já me apaixonei pelo trabalho foi Garcia Mozos. Luis Garcia Mozos é um artista espanhol, nascido no final da década de 1950, que entre outros acontecimentos, teve o privilégio de conhecer John Lennon e Salvador Dalí. Teve também inúmeras publicações e passou por diversos estilos e escolas.
Salvador Dalí, amiga e Luis Garcia Mozos (1973)

Garcia criou artes para a Heavy Metal e chegou a co-editar na década de 1980 uma revista chamada "Rambla", que misturava Sci-Fi com Terror e as vezes até humor. Entre os artistas que também participavam estavam inclusive Alberto Breccia e Guido Crepax (ambos já falecidos). A história conta que Garcia chegava a dormir 4 ou até 2 horas apenas devido ao montante de trabalhos que administrava. A publicação chegou ao fim em 1985, devido a uma crise econômica que a Espanha enfrentou. Garcia, que estava envolvido praticamente com publicações editoriais e quadrinhos, voltou-se para as artes plásticas (onde também passou outros perrengues) até ser contratado pela Galeria Horrach Moya.
Atualmente passa por alguns problemas de saúde, mas busca uma nova fase de criatividade, com a representação de uma galeria Norte-Americana.

Na minha opinião, o que mais me chama a atenção no trabalho de Garcia é sua versatilidade e mistura de estilos e influências (desde Pepe Gonzalez e Jordi Longaron nos quadrinhos até Velázquez, na pintura). Ele consegue produzir várias obras ao mesmo tempo sem necessarimente ser identificado. Seu domínio de técnicas é impressionante e sua qualidade final é de brilhar os olhos.

Abaixo um pouco do seu trabalho (em ordem quase cronológica):

Luis Garcia Mozos 1970


Luis Garcia Mozos 1980


Luis Garcia Mozos 2000



Vendo trabalhos assim (e até um pouco do sufoco que Garcia enfrentou ao longo do anos) eu me pego pensando: como tem ilustrador reclamão sem moral nenhuma para fazer isso. Sem contar que vira uma piada você pensar em trabalhos desse nível pelo país afora. Eu consigo contar nos dedos quem possui essa qualidade (e olha que o Garcia nem é o maior artista de lá)... alguém consegue contar mais?
E é claro que isso serve de auto-crítica também, mas a diferença é que eu aceito e busco fazer minha parte...

Todos os trabalhos dessa postagem são de autoria e propriedade de Luis Garcia Mozos

terça-feira, 6 de abril de 2010

I Can Hear Music - Técnicas de guitarra ilustradas

Já estamos em Abril e essa é apenas minha segunda aparição em 2010 por aqui. A justificativa só pode ser produção, mão e mente ocupadas, e acabei deixando o blog de lado.
Mas não esqueci. Prometi a mim mesmo que assim que a fornada saísse, ia publicar alguns trabalhos aqui. Ao menos os que eu julgasse interessante.
Das novas produções, uma que gostei muito de criar e desenhar foi a ilustração que chamo de "Guitar Techniques" (técnicas de guitarra). Já aviso de antemão que não sei nem tocar um mísero acorde no violão e mal sei ler uma tablatura, mas como gosto de Rock e Heavy Metal, achei apropriado fazer um desenho sobre esse tema (música), mesmo que ele não fosse de algum especialista.

Guitar Techniques



De início, pensei apenas em fazer um guitarrista - com pose e tudo - e trabalhar nessa única imagem. Mas acabei empolgando e resolvi fechar uma arte só com 4. O mais "maçante" foi pensar nas técnicas e posições para os desenhos. O resto já estava pronto na cabeça... o título lateral, a técnica que ia utilizar, estilo, etc.
Separei uma das 4 ilustrações para explicar o processo (ta aí logo abaixo).
O padrão foi basicamente o mesmo para todas:

Eu gosto muito mesmo de trabalhar com referências. Houve uam certa época em que abominava isso e achava que ela tirava a criatividade do ilustrador. Isso é uma besteira, mas principalmente se você souber utilizá-las decentemente.
Enfim, para todas as artes eu busquei referências. Umas eram de revistas, outras pela internet mesmo. Nesse exemplo que posto, a imagem foi baixada da internet, não me pergunte qual site...

Guitar Techniques (produção "Sliding")


Eu separei a imagem e fiz um esboço da estrutura do guitarrista (achei a perspectiva original meio ingrata) e então no computador mesmo eu fui delinenando e finalizando (usando tanto adobe photoshop quanto adobe illustrator). Quando acabei de criar os traços, fiz as sombras e preenchimentos; na etapa final, apliquei alguns filtros, ajustes de cor e para o fundo fiz uma montagem com estilos de brushes.
Para o texto, eu quis praticar um pouco de tipografia e tentei buscar (e trabalhar em cima de) umas fontes que achava ao menos ter um pouco de alusão com a arte + técnica (de guitarra).
No final deu um certo trabalho, demorou algumas semanas (entre paradas e continuações), mas consegui chegar onde queria. Não sei se terei tempo - ainda mais por ser um trabalho de certa maneira autoral - mas pensei em fazer o mesmo esquema utilizando todos os "membros da banda" (técnicas de baixo, de vocal, bateria).
Bom, pelo menos alguma arte só de uma banda já dá pra pensar com mais tranquilidade.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Postura profissional e minha "Curly Girly"

Primeiramente, um Feliz 2010 para todos os que passam para ler minhas postagens nesse mundo povoado que é do blogger. Como já disse em publicações passadas, não tenho pretensões com esse espaço, a não ser de mostrar meu trabalho e dar alguns toques para ilustradores interessados em se profissionalizar. Então, imagina que algumas visitas aqui, já me deixam grato, por que não tem nem como pensar em competir com tantas outras postagens de profissionais da área. Ao menos qualitativamente falando.

Mas é um pouco disso que quero fazer nessa primeira publicação do blog nesse novo ano. Afinal, o que é ser profissional de ilustração? É ter ótimos trabalhos? Ter seu nome reconhecido no meio? Ter ética e respeito com clientes e profissionais?

Eu acredito ser um pouco de tudo e algumas outras coisas. Uns itens muito, outros nem tanto. Enfim, o que você precisa é não se portar como um messias, mas possuir qualidades de qualquer outro profissional em qualquer área.

Digamos que você seja um garçom. Sua função é atender bem, ser educado e atencioso com os pedidos do cliente. Mas você também precisa saber equilibrar pratos em cima de uma bandeja, servir uma bebida, memorizar os itens do cardápio e se possível, o nome do cliente preferêncial. Se você é chefe dos garçons, sua responsabilidade aumenta, pois você precisa estar de olho se os outros estão cumprindo as funções corretamente, além de contribuir para preservar a imagem do estabelecimento. Mas taí uma carreira que não é tão fácil achar bons profissionais. Conheço histórias de bares que fecharam justamente por que não conseguiam achar mão-de-obra qualificada.

Mas aí que está o grande lance: um garçom de restaurante requintado precisa de uma boa formação ou especialização, anos de crescimento profissional e um bom currículo que permita-o ter os requisitos necessários para trabalhar para grandes estabelecimentos. Alguém faz idéia de quanto ganha um garçom do Fasano? As vezes são pessoas simples, mas que tem justamente o perfil e as qualidades que não só o dono do restaurante deseja, mas o cliente.

No meu raciocínio, para você não só ter seu espaço no mercado, mas merecê-lo, é mais que obrigatório você fazer sempre a lição de casa. Aprender o tempo todo, nunca achar que já sabe o que precisa e principalmente, estar disposto a se atualizar, inovar, mas de um jeito decente. Nunca esqueça que a moda é sempre passageira, ela vem, marca seu território e, assim como o ser humano, ela evolui e precisa deixar para trás o que uma vez foi sua presença.

Trocando tudo isso em miúdo, o que você precisa saber é que ninguém fará algo por você, a não ser você mesmo. Foi um pouco desse pensamento que me fez querer criar uma ilustração inspirada no design infanto-juvenil... feminino.

Há muitos anos atrás, eu tinha aquela cartela de ilustrações e aquilo era meu trabalho e o que eu tinha para ser mostrado. Até que percebi que muitas coisas eram variações do mesmo. Por exemplo: meus desenhos "maduros" tinham a mesma cara das ilustrações de HQ. Meu storyboard tbm. Meu cartum, todos eles tinham a mesma cara, mesma influência. É claro que muitos entendem isso como "identidade", mas a identidade de sua ilustração vai mais além.

Me desculpem os puritanos, mas eu não considero o talento mais imprescinsível do mundo você ter um estilo único. Do tipo, você só fazer cenários hachurados e qualquer coisa que precise sair disso você evita. Para alguns segmentos do mercado, isso até é considerado uma vantagem sobre outros, mas a não ser que você queira explorar mais mercados e se tornar um ilustrador versátil, fixar-se numa só linha é o pior negócio.

Eu então resolvi dar uma checada no que havia em meu portfolio e percebi que eu não possuia nada de conteúdo infantil, muito menos feminino. E então me propus o desafio de criar uma ilustração nesse estilo, baseado em influências que eu já tinha e no estilo vigente do mercado. Minha inspiração inicial foi algo entre Betty Boop e Hello Kitty, então rabisquei num papel o que eu chamo de rough/sketch (que seria um layout prévio, mas já esboçado para começar a ilustração oficial) e fui manipulando as formas/shapes no programa vetorial Illustrator.

Curly Girly - esboços e vetores



Depois, para dar o acabamento, resolvi fazer uma arte que fugisse um pouco do estilo que pretendi inicialmente. Eu sempre gostei de montagens e colagens. E me veio a mente um pouco umas ilustrações em acrílico de um artista muito bom que conheci nos tempos de faculdade, chamado Shag em que parece simular algumas colagens também. Apesar de eu estar trabalhando digitalmente, tentei puxar para esse lado mas no computador.

É óbvio que o resultado nem se compara. Você precisa fazer muitas "trapaças" para dar uma certa "organicidade" em trabalhos digitais. Eu concluí um pouco desse trato no Photoshop, já que você pode manipular mais algumas texturas. O resultado final ficou assim:

Curly Girly - arte final



Não é minha obra-prima, mas para quem quis se aventurar num terreno que não tenho intimidade ou influência direta, acho que consegui ao menos chegar perto do que queria. Mas essa opinião tenho que deixar para as mulheres. Ou melhor, meninas. :)

Em tempo: Ética no Aurélio é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto". É muito fácil falar de ética, de ter respeito ao profissional, ao cliente. Possuir moral, cidadania.
Mas a verdade é que nesse meio (e em outros muitos, claro), conta-se nos dedos quem realmente faz questão de agir de forma correta. Se ela só fosse fazer o trabalho direito, ainda vá lá, mas é muito mais do que isso.

Quando estava no colegial (fiz técnico), um dos professores mais respeitados deu como última aula do ano uma explicação de como devemos nos comportar como profissionais. No fim da aula, ele disse três coisas que devemos ter para sermos bem sucedidos e nos consolidarmos como excelente profissionais: honestidade, honestidade e honestidade.
Eu nunca mais esqueci isso.