segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Postura profissional e minha "Curly Girly"

Primeiramente, um Feliz 2010 para todos os que passam para ler minhas postagens nesse mundo povoado que é do blogger. Como já disse em publicações passadas, não tenho pretensões com esse espaço, a não ser de mostrar meu trabalho e dar alguns toques para ilustradores interessados em se profissionalizar. Então, imagina que algumas visitas aqui, já me deixam grato, por que não tem nem como pensar em competir com tantas outras postagens de profissionais da área. Ao menos qualitativamente falando.

Mas é um pouco disso que quero fazer nessa primeira publicação do blog nesse novo ano. Afinal, o que é ser profissional de ilustração? É ter ótimos trabalhos? Ter seu nome reconhecido no meio? Ter ética e respeito com clientes e profissionais?

Eu acredito ser um pouco de tudo e algumas outras coisas. Uns itens muito, outros nem tanto. Enfim, o que você precisa é não se portar como um messias, mas possuir qualidades de qualquer outro profissional em qualquer área.

Digamos que você seja um garçom. Sua função é atender bem, ser educado e atencioso com os pedidos do cliente. Mas você também precisa saber equilibrar pratos em cima de uma bandeja, servir uma bebida, memorizar os itens do cardápio e se possível, o nome do cliente preferêncial. Se você é chefe dos garçons, sua responsabilidade aumenta, pois você precisa estar de olho se os outros estão cumprindo as funções corretamente, além de contribuir para preservar a imagem do estabelecimento. Mas taí uma carreira que não é tão fácil achar bons profissionais. Conheço histórias de bares que fecharam justamente por que não conseguiam achar mão-de-obra qualificada.

Mas aí que está o grande lance: um garçom de restaurante requintado precisa de uma boa formação ou especialização, anos de crescimento profissional e um bom currículo que permita-o ter os requisitos necessários para trabalhar para grandes estabelecimentos. Alguém faz idéia de quanto ganha um garçom do Fasano? As vezes são pessoas simples, mas que tem justamente o perfil e as qualidades que não só o dono do restaurante deseja, mas o cliente.

No meu raciocínio, para você não só ter seu espaço no mercado, mas merecê-lo, é mais que obrigatório você fazer sempre a lição de casa. Aprender o tempo todo, nunca achar que já sabe o que precisa e principalmente, estar disposto a se atualizar, inovar, mas de um jeito decente. Nunca esqueça que a moda é sempre passageira, ela vem, marca seu território e, assim como o ser humano, ela evolui e precisa deixar para trás o que uma vez foi sua presença.

Trocando tudo isso em miúdo, o que você precisa saber é que ninguém fará algo por você, a não ser você mesmo. Foi um pouco desse pensamento que me fez querer criar uma ilustração inspirada no design infanto-juvenil... feminino.

Há muitos anos atrás, eu tinha aquela cartela de ilustrações e aquilo era meu trabalho e o que eu tinha para ser mostrado. Até que percebi que muitas coisas eram variações do mesmo. Por exemplo: meus desenhos "maduros" tinham a mesma cara das ilustrações de HQ. Meu storyboard tbm. Meu cartum, todos eles tinham a mesma cara, mesma influência. É claro que muitos entendem isso como "identidade", mas a identidade de sua ilustração vai mais além.

Me desculpem os puritanos, mas eu não considero o talento mais imprescinsível do mundo você ter um estilo único. Do tipo, você só fazer cenários hachurados e qualquer coisa que precise sair disso você evita. Para alguns segmentos do mercado, isso até é considerado uma vantagem sobre outros, mas a não ser que você queira explorar mais mercados e se tornar um ilustrador versátil, fixar-se numa só linha é o pior negócio.

Eu então resolvi dar uma checada no que havia em meu portfolio e percebi que eu não possuia nada de conteúdo infantil, muito menos feminino. E então me propus o desafio de criar uma ilustração nesse estilo, baseado em influências que eu já tinha e no estilo vigente do mercado. Minha inspiração inicial foi algo entre Betty Boop e Hello Kitty, então rabisquei num papel o que eu chamo de rough/sketch (que seria um layout prévio, mas já esboçado para começar a ilustração oficial) e fui manipulando as formas/shapes no programa vetorial Illustrator.

Curly Girly - esboços e vetores



Depois, para dar o acabamento, resolvi fazer uma arte que fugisse um pouco do estilo que pretendi inicialmente. Eu sempre gostei de montagens e colagens. E me veio a mente um pouco umas ilustrações em acrílico de um artista muito bom que conheci nos tempos de faculdade, chamado Shag em que parece simular algumas colagens também. Apesar de eu estar trabalhando digitalmente, tentei puxar para esse lado mas no computador.

É óbvio que o resultado nem se compara. Você precisa fazer muitas "trapaças" para dar uma certa "organicidade" em trabalhos digitais. Eu concluí um pouco desse trato no Photoshop, já que você pode manipular mais algumas texturas. O resultado final ficou assim:

Curly Girly - arte final



Não é minha obra-prima, mas para quem quis se aventurar num terreno que não tenho intimidade ou influência direta, acho que consegui ao menos chegar perto do que queria. Mas essa opinião tenho que deixar para as mulheres. Ou melhor, meninas. :)

Em tempo: Ética no Aurélio é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto". É muito fácil falar de ética, de ter respeito ao profissional, ao cliente. Possuir moral, cidadania.
Mas a verdade é que nesse meio (e em outros muitos, claro), conta-se nos dedos quem realmente faz questão de agir de forma correta. Se ela só fosse fazer o trabalho direito, ainda vá lá, mas é muito mais do que isso.

Quando estava no colegial (fiz técnico), um dos professores mais respeitados deu como última aula do ano uma explicação de como devemos nos comportar como profissionais. No fim da aula, ele disse três coisas que devemos ter para sermos bem sucedidos e nos consolidarmos como excelente profissionais: honestidade, honestidade e honestidade.
Eu nunca mais esqueci isso.