terça-feira, 5 de outubro de 2010

Caricaturas e Cia.

Eu comecei a fazer caricaturas em eventos em 1995, ainda em Piracicaba - SP, meio que por acaso. No ano anterior, eu e alguns amigos lançamos um fanzine (chamado "Mocréia") numa exposição do estúdio de desenho que cursávamos. Na ocasião, armamos - assim como os outros alunos - uma bancada para vender nossas "obras". Nessa época, Lino Vitti, um parente da família e poeta da cidade curtia demais o fato de mais um "Vitti" seguir alguma profissão artística. Quando ele veio prestigiar o evento, pediu para eu fazer uma caricatura dele, só que eu não fazia ideia nem como começar. Então, ele ficou de perfil, para "facilitar" e eu comecei a riscar a folha. Para a minha surpresa (e nem tanto a dele), a caricatura saiu.
Então aos poucos eu fui praticando e praticando. Surgiram os eventos organizados pelo estúdio, com um intuito de divulgá-lo e apresentar os novos artistas e eu sempre estava no meio. Chegava até a ser ridículo, um pirralho, menor que a própria caneta, no meio daqueles marmanjos e aquele mundaréu de gente.
Mas o mais interessante é que eu estava praticando não só a caricatura, mas a habilidade de desenhar, de observar elementos e de expandir estilos de traço. Tudo isso sempre diretão, papel branco e uma pilot preta na mão. Ao vivo, o mais rápido que pudesse (aliás, foi com a caricatura que eu consegui ter mais dinâmica nas ilustrações).

Caricaturas P/B (ao vivo)


Foi assim, contínuo até 1998 mais ou menos. Depois disso fiz algumas coisas esporádicas, uma ou outra caricatura sob encomenda aqui e alí e parei.

Caricaturas sob encomenda (presente)


Eu engatei a primeira de novo em 2008, quando já tinha (re)iniciado meus trabalhos como ilustrador. Confesso que não esperava estar tão enferrujado quando surgiram os primeiros trabalhos e mas também não imaginava que fosse "pegar a manha" tão fácil.
Daí pra frente apareceram também trabalhos para empresas, o que depende de um departamento de marketing ou RH com um case bem redondo em mãos para que toda a ideia funcione.

Caricaturas Institucionais



Fazer caricaturas é tão desafiante quanto qualquer outro trabalho. Ela só funciona se a pessoa está parecida. Se não parece, não rola. Sem contar que não entra na minha cabeça o fato de que alguém não precisa necessariamente desenhar para fazer caricatura. Só se for para fazer uma bela porcaria.
Dessas minhas caricaturas, principalmente as em "real time", é claro que tem algumas em que nem eu engolí, mas por sorte, a grande maioria sempre foi bem recebida.
Até um tempo atrás, eu achava que caricatura pra ser presenteada e guardada, precisava ser feita sob encomenda, colorida, toda bonitinha. Mas a verdade é que todas, até aquelas em que você nem dá tanto valor, sempre terá para alguém (geralmente o caricaturado).
Recentemente, me alegrou muito a notícia de uma pessoa que não só tem um desenho meu desses primeiros anos emoldurado e pendurado na parede, como pinta até um ciúmes em quem mexe naquele mimo. Quando soube, quis ver e até pensei em sugerir uma troca por um mais "atualizado", certamente com maior qualidade e acabamento. Mas é uma besteira minha, por que por mais que eu refaça tantos outros melhores, AQUELE tem também seu valor. Para mim também, pois é gratificante ter a prova de que assim como essa, outras ilustrações sempre fazem parte da vida das pessoas.